
A documentação histórica relativa à Quinta da Regaleira leva-nos ao ano 1697 em que José Leite adquiriu uma vasta propriedade na vila de Sintra onde iria ser edificada a Quinta da Torre.
Várias famílias e várias gerações influenciaram e deram espirito ao que iria tornar-se um dos lugares mais mágico de Portugal, actualmente Património da Humanidade.
A Quinta da Regaleira ganhou o nome actual quando em 1840, foi adquirida pela filha de uma grande negociante do Porto, Allen, que mais tarde iria ser agraciada com o título de Baronesa da Regaleira.
Contudo, foi em 1892, altura em que os barões da Regaleira vendem a propriedade ao Dr. António Augusto Carvalho Monteiro, que ela iria receber uma transformação mistica e simbólica, retratando a alma da Maçonaria.
Após adquirir a quinta, por cerca de 25 contos de reis (na altura uma boa maquia de dinheiro), o novo proprietário, mais conhecido por Monteiro dos Milhões, distinto coleccionador e bibliófilo, (e um possível maçon, embora a história não o revele como tal) alia-se ao arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini para conceber o conjunto de construções misticas e mágicas que actualmente vemos presentes na quinta. As mais variadas correntes artísticas são espostas na construção, com particular destaque para o gótico, o manuelino e a renascença aliados ao misticicismo e esoterismo.
Enquanto passeamos na quinta, organizados por grupos e obrigatoriamente acompanhados por uma guia, é fácil ficarmos deslumbrados com a beleza que nos rodeia.
Inevitavelmente somos evadidos por toda a energia que a quinta emana, o Palácio dos Milhões e todo o seu envolvente levam-nos a um mundo mágico, onde procuramos a pedra filosofal, bebemos água na fonte da juventude e procuramos renascer tornando-nos melhores pessoas.
Esse renascimento, conhecido por ser uma prática de iniciação dos Cavaleiros Templários e dos mestres da Maçonaria, é das experiências mais fascinantes que podemos encontrar.
Durante o passeio pelos jardins da quinta, encontramos um menir, que ao ser empurrado revela uma porta de pedra, que roda sendo impulsionada por um mecanismo oculto e nos faculta a entrada para o monumental poço iniciático, espécie de torre invertida que mergulha nas profundezas da terra, aparentemente um simples poço, quando observado pelo exterior.
É aqui que morremos e somos levados de quinze em quinze degraus a descer os nove patamares desta imensa galeria em espiral.

Os nove patamares circulares do poço, por onde se desce ao abismo da terra ou se sobe em direcção ao céu, consoante a natureza do percurso iniciático escolhido, lembram os nove círculos do Inferno, as nove secções do Purgatório e os nove céus do Paraíso, que o génio de Dante consagrou na Divina Comédia.
No fundo do poço iniciático encontramos gravada em embutidos de mármore, uma cruz templária, ligada a uma estrela de oito pontas, afinal o emblema heráldico de Monteiro dos Milhões.
Entramos a seguir num imenso labirinto subterrâneo procurando renascer, existem duas saídas possiveis:
Uma das saídas leva-nos ao Jardim do Paraíso, altura em que, para sair da gruta temos de flutuar por cima da água (verdade, depois vão entender como), ao conseguirmos essa proeza, renascemos sem as impurezas que possuíamos dentro da alma.

A outra saída é traiçoeira, apesar de nunca a conhecermos a fundo, pois o caminho do labirinto está sinalizado por uma mangueira de luz, cuja qual indica-nos o percurso ideal para não nos aleijarmos. Essa saida leva-nos ao purgatório, que conhecemos após uma queda aparatosa, provocada por uma armadilha no chão do labirinto. Caímos dentro de um limbo verde e pegajoso e sofremos uma saída inglória, onde todas as impurezas que trazíamos na alma nos acompanham em conjunto com a sujidade do liquido viscoso donde caimos.

Um dos truques ancestrais para poder encontrar o percurso certo para o Paraiso numa visita às escuras, é fechar os olhos, abstraindo a mente da distracção em redor e seguir o som da cascata presente no Jardim do Paraíso.
Eu, felizmente tive a sorte de fazer uma visita privilegiada ao local, visto que fui acompanhado por um amigo meu que é repórter e um grande iluminado sobre os valores e a história da magia de Sintra.
Obrigada por me mostrares essa luz, Pedro Dias.
A quinta fica situada em pleno Centro Histórico de Sintra, rumando pela esquerda após o Palácio central de Sintra e antes de chegar ao Palácio de Seteais.
A visita tem de ser marcada com antecedência, reservando para o numero
21 910 66 50.
Este é um lugar mágico a não perder!
Nunca tinha ouvido falar da Quinta da Regaleira, mas confesso que fiquei muito curioso desde que li o post.
Parabéns pela apresentação que está espectacular.
Vou tentar ir este fds com a familia, obrigado pela dica preciosa
È lindo de morrer , já lá fui, vale realmente a pena,não percam.
Também temos coisas lindissimas em Portugal. SOMOS OS MAIORES lol
Parabéns pelo destaque, foi um boa escolha. A Regaleira é de facto um local mistico e belo. É na verdade mais uma das pérolas de Sintra, rica em história e em estórias e com uma beleza natural exuberante que apela aos sentidos do corpo e da alma…
Apenas um reparo ao texto; no respeitante aos estilos arquitectónicos devemos ter em conta que se trata de um conjunto criado práticamente entre os finais do séc. XIX e inicios do séc. XX por isso falamos de Neo-gótico e Neo-Manuelino. Isto apenas para evitar confusões de datação e construção. Já agora o Monteiro dos Milhões era de facto um apaixonado pela Maçonaria mas dela nunca conseguiu ser membro…
Abraços e continuem com o Blogue
Sou aluna do 11º ano
Em abril irei visitar Sintra e a Quinta da Regaleira
Se já entusiasmada estava agora, depois de ler este artigo ainda mais fiquei
Estupendo este sítio!
Imaginem um brasileiro, ao Sul extremo da América, aficcionado em Pessoa, descobrir que há em Sintra prodígio tal.
Ler Mensagem na alta torre ou o Desassossego ao pé da Leda… que sonho!
E depois voltar à Lisboa, ao volante do chevrolet.
Absolutamente brutal!